terça-feira, 13 de março de 2012

Para mim: Love

(Não sou tão boa quanto você...)




Amiga,

Todos os seus amigos tinham medo de você virar uma jornalista extremamente racional e insensível. Quando você passou pela faculdade e saiu intacta respiramos aliviados, esperando você escolher o jornalismo esportivo, em nossas mentes, mais leve e livre para que você pudesse metaforizar e brincar com as palavras. Então você decretou: economia. E lá estávamos nós novamente afoitos, aterrorizados em vê-la pensando em números e taxas. Doce – e muito doce – engano. Em meio a PIB, índices, bolsas, câmbios, crises, mercados, hedge, a Fabi extremamente sensível sobrevive. E como foi bom perceber isso logo com meu filho. A delicadeza em fazer com que a saudade dele fosse menor, a imaginação de fazê-lo escorregar no arco-íris, a inteligência com que lida com as manhas dele, as aulas de música brasileira, a persistência em fazê-lo vencer seus medos, a sabedoria ao lhe ensinar sobre as coisas da vida de uma forma muito suave. Até parece que viver é bom e é fácil. Ao lhe ver brincar com ele e com as plantas, colocar a mão na terra e se assustar com o questionamento de “pra que serve uma planta”? Eu percebi que talvez esteja me faltando um monte da sensibilidade que temi que desaparecesse em você. Mais uma vez, com muita paciência e bom tato, lá foi você sentar com ele no sofá para ver “Wall-e” e quem sabe conseguir fazer com que ele entendesse que plantas não têm que servir para nada. Ao contrário de nós e das coisas. “A gente tem mania de coisificar tudo, Henry”, você disse, ele não entendeu, e eu aprendi. E claro, escondendo o bonequinho do Wall-e no meio da pipoca, para com suas palavras “deixar os sonhos um pouco mais ao alcance das mãos, isso é importante, Sa”. Como é. Você é um tanto de sonho que trago pra perto do meu pequeno. Quando estou com você e com Henry, eu deixo de ser mãe pra deixar você ser e aprendo tanto observando de fora. Você me faz uma mãe melhor. Você é uma mãe melhor. E fico feliz em saber que escolhi você para ser a segunda mãe de Henry. Já disse e repito sempre, é o melhor presente da vida que posso dar e deixar pra ele. Não me surpreende em nada o amor incondicional que ele tem por você e, eu sei, vice-versa. Tenho muito que te agradecer. E em especial pelo melhor presente dos últimos tempos. Você que sempre soube que eu queria fazer uma tatuagem para ele e sem saber bem o que, me deu o melhor e mais bonito presente, o que realmente define tudo. Um H lindamente desenhado no pulso que quando virado, se lê “Love”. Perfeito. Como tudo que vem de você. Muitas pessoas não entendem porque seus amigos puxam tanto seu saco e te mimam tanto. A única coisa que fazemos, esses que sabemos bem o porquê, é lamentar: grande azar o deles. Obrigada por tudo, mais uma vez, amiga....

Eu te amo,
Samara,
E Henry.

sábado, 10 de março de 2012

Carta: Aperte o play

("My gift is my song and this one's for you... You can tell everybody...")




Amado Henry,

Muitas vezes na vida e para muitas pessoas você vai perguntar como definir determinado sentimento e principalmente, quando é amor? Essa é uma questão que nos acompanha por toda a vida. E que muitas vezes não conseguimos encaixar certos sentimentos em nenhuma definição. É divertido e interessante descobrir novas respostas. Alguns vão te falar que é quando você é capaz de morrer pela pessoa, de fazer de tudo para tê-la por perto. Outros vão dizer que é quando você deseja a felicidade do outro mais que a sua. Há aqueles que acreditam que é amor quando você abdica, deixa livre, independente de. Vão te dizer que é quando o mundo pára quando a pessoa chega, falta ar, sobra suor. Ou outros sintomas, como lapsos na fala e na memória, borboletas no estômago, pupilas dilatadas e o famoso coração acelerado. E ainda quando o tempo passa a ser uma coisa muito relativa. Todos esses sinais são válidos, Henry. Porém, para mim, a gente se dá conta que é amor mesmo quando remete àquela pessoa uma música. Qualquer que seja. Se você se pega pensando em alguém durante uma música: bingo! Não há escapatória. E não digo amor restrito a homem e mulher não. Qualquer amor. Foi assim comigo e com você. Na primeira vez que te peguei no colo, um pingo de gente, a primeira coisa que fiz foi cantar uma música. E você ficou quietinho, mesmo eu tendo te tirado da sua mãe, a única com quem você tinha algum vínculo até então. Cantei "Your Song" baixinho e você se aninhou no meu colo como quem entende logo de cara a grandiosidade daquilo. Enquanto o seu choro cessava, o meu e da sua mãe disparava. Foi assim com meu avô, que perdi muito cedo, uma das raras lembranças que tenho dele é como ele cantava "Gata pintada, quem te pintou? Foi o vovô que aqui passou". Ele cantava assim toda vez que via uma nova pintinha no meu corpo. E eu ria. Agora, toda vez que nasce uma nova pinta em mim, eu me emociono, olho lá pra cima e reclamo baixinho: "também tenho saudade, Vô". E assim carrego no corpo as marcas, as manchas de tantas e tantas lembranças musicadas. É assim com a sua mãe com a música "Pode crer" do Cidade Negra, é assim com meus amigos de SP com a música "Meus Bons Amigos", do Barão Vermelho. É assim com alguém especial que se foi com a música "Giz" do Legião Urbana. Tem sido assim com uma pessoa que tem mexido comigo recentemente. É assim com tanta gente, Henry. E por todos eles, sem exceção, tenho um amor incontestável. Desde bebê vejo o respeito que você tem pela música. Desde bebê era ela quem te fazia se acalmar, parar, sentir. Ao tê-lo no meu colo enquanto tocava piano, vi seu fascinio pelo som. Seu receio de intervir foi revelador. Por isso, tenho certeza que você será como eu, terá na música tocada e a cabeça em alguém a sua convicção, o seu veredito, a legitimação do sentimento. Portanto, apure os seus ouvidos e se atente aos sons. Escute, acima de tudo. Aprenda o equilibrio entre o silêncio e as notas. Tudo precisa de um contraponto, de uma respiração. E se deixe apaixonar, com trilha sonora, nada na vida é mais bonito e emocionante, Henry. E principalmente, não confie em pessoas que não gostem e que não façam essa relação entre pessoas e músicas. Elas não são fiéis, nem respeitam seus próprios sentimentos, quem dirá o dos outros. É só uma dica, mas acho que, pelo pouco que reparei em você, vai lhe servir perfeitamente. Quanto ao resto Henry, improvise ...

Obrigada pelos dias de alegria ao seu lado,
beijos musicados, em ritmo de canção de ninar...
com amor,
Tia Fabi.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Diário Feminino: Elas

(Antes que me perguntem: pura e meramente literatura, ficção)



Querido diário,

Deveria ser pecado machucar uma mulher em seu melhor vestido. Não, pecado não, muito subjetivo, abstrato, três ave-marias e redenção... crime! Deveria ser crime machucar uma mulher vestida em seu melhor vestido. Inafiançável. Alguns bons meses de reclusão. Aliás, qualquer pena seria irrisória para um homem que magoa uma mulher dentro do seu melhor vestido. Não sei se odeio mais a ele, a mim ou a vendedora desse rímel que jurou que era a prova d’água. Qual mulher nunca borrou o rímel, o lápis e o blush de tanto chorar? Certamente apenas aquelas que não amaram. Não sei qual das duas hipóteses é mais triste. E como se não bastasse o choro, choveu. Chovia muito. E eu, dentro do meu melhor vestido, em um restaurante de um bairro chique de SP, andava a pé na chuva, chorando, dentro do meu melhor vestido, derretendo em dor. Borrando a maquiagem. Maldita vendedora. Mais um encontro frustrado. Dessa vez ele atingiu o ápice da canalhice: simplesmente não apareceu. Maldito. Deixou-me esperando no restaurante paulistano mais caro. E o garçom me perguntou cinco vezes (cinco!!!) se eu não queria pedir o prato. Pedi foi a conta. Três águas e dois vinhos. Nada no estômago. Nada no coração. E a cara de piedade do garçom. Mais um para disputar a liderança da minha lista de odiáveis. Já sabe né? Outro que merecia a prisão perpétua. Deveria ser crime ter piedade de uma mulher no seu melhor vestido. Só sei que sai sem me importar com a chuva. A pé. Já que estava no meu melhor figurino queria a cena perfeita para o drama cinematográfico. Com direito a buzinadas e gritos dos motoristas apressados no meio da rua. Já que era pra sofrer que fosse em um bar vagabundo, desses de beco, que juntam toda a podridão das grandes cidades. Todas as mazelas humanas que insistem em sobreviver – e se alimentar - nas madrugadas. Desses em que a bebida não acaba com meu salário do mês e que ninguém vai reparar se estou no meu melhor ou pior vestido. Entrei no que me pareceu mais imundo, mais escuso. No mais poluído: de gente, luzes, sons e cheiros. Onde nada se distinguia e tudo se harmonizava. Ninguém ali sentiria piedade de mim. Ninguém ali sentiria nada por qualquer outra pessoa do ambiente. Todos muito centrados em suas próprias misérias, dores e transtornos. Todos tristes e moralmente abandonados. Pedi a bebida mais barata, ou seja, a mais forte. Pedi bastante gelo e o barman bufou. Eu não queria um homem perfeito. Ele não precisava ser forte, rico, lindo, inteligente e sincero. Não precisava ser gentil. Se bem que um café na cama de vez em quando cairia bem. Toda mulher merece receber café na cama, principalmente do homem para quem ela vestiu e despiu o seu melhor vestido. Ele não precisava ser o que toda mulher sonha. Ele só precisava ser o que toda mulher quer. Há muita diferença nisso. Eu pensava nessas obviedades – tentando negar a mim mesma que eram - e brincava com o gelo no copo quando aquela pessoa se aproximou. Sentou no banco ao meu lado. Pediu licença e eu não respondi. Quando pedi a segunda dose para o barman, pediu uma para me acompanhar e eu continuei muda. Falou coisas desinteressantes, comentários genéricos sobre o lugar e sobre a chuva. Só despertou minha atenção quando disse: “Você está usando um belo vestido”. Olhei e agradeci. Alguém notara. Continuou a falar. Sobre a vida noturna, sobre solidão, sobre perdas, sobre a modernidade, sobre o distanciamento, sobre amores. Respondi monossilabicamente e achei bonito quando citou Caio F. Abreu usando as gotas dos copos suados para dizer que quando duas se juntam, crescem e vão mais longe, mais velozes. E a gota percorreu o copo inteiro até morrer seca em sua boca bem desenhada. Era inteligente e delicada a conversa. Tinha sentimento e tinha sobriedade. Era lúdica e incisiva. Era envolvente. Em algumas horas e já na sexta dose trocávamos versões, sensações e visões do mundo. Sobre todo e qualquer assunto. Éramos gotas unidas. Nossos sorrisos, silêncios e fôlegos eram sincronizados, amistosos, interessados. Depois da oitava dose me chamou para um lugar mais calmo, mais íntimo. Aceitei. Levou-me para o seu apartamento, pequeno mas muito aconchegante. Tinha um cheiro bom e na décima dose, nossos corpos se juntaram, nossas bocas se tocaram e o desejo nos venceu. Agora estou em um apartamento desconhecido, com uma mulher nua ao meu lado, com meu melhor vestido amassado no chão, me perguntando seriamente quem deve fazer o café: eu ou ela?

sexta-feira, 2 de março de 2012

Reverências e Referências: Chico Buarque

Olha eu sendo autoritária e mudando as regras do jogo só porque o blog é meu e eu que mando! Mas tenho motivos. Bons motivos. Primeiro, e enquete empatou. Segundo, empatou por minha culpa porque deixei poucos dias pra votação. Terceiro: escolhi Chico Burque pra colocar no lugar. Quarto e melhor de todos: estar com meu afilhado me faz um bem danado, é ter um pouquinho do gostinho de ser mãe e é bom demais. E Chico, como mestre que é, descreve muito bem esse sentimento com uma música que fez para o neto. Confesso que não sou muito fã de Chico como cantor, acho que as músicas deles ficam lindas, na voz de outros... mas como poeta.... todas as reverências....





Você, Você (Canção Edipiana)

Que roupa você veste, que anéis?
Por quem você se troca?
Que bicho feroz são seus cabelos
Que à noite você solta?
De que é que você brinca?
Que horas você volta?

Seu beijo nos meus olhos, seus pés
Que o chão sequer não tocam
A seda a roçar no quarto escuro
E a réstia sob a porta
Onde é que você some?
Que horas você volta?

Quem é essa voz?
Que assombração
Seu corpo carrega?
Terá um capuz?
Será o ladrão?
Que horas você chega?

Me sopre novamente as canções
Com que você me engana
Que blusa você, com o seu cheiro
Deixou na minha cama?
Você, quando não dorme
Quem é que você chama?

Pra quem você tem olhos azuis
E com as manhãs remoça
E à noite, pra quem
Você é uma luz
Debaixo da porta?
No sonho de quem
Você vai e vem
Com os cabelos
Que você solta?
Que horas, me diga que horas, me diga
Que horas você volta?





(Não existe amor maior...)

P.S Vou reabrir a última enquete, sejam bonzinhos e colaborem. Sou péssima com decisões.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Vem em Voz - O Retorno

Depois do "Vem em Voz" que fez um sucesso que eu não esperava... o retorno. Em todos os sentidos. Mais uma daquelas ligações que deveriam ser gravadas na caixa postal. E nunca são.








(Preciso super agradecer as visitas e o carinho para com esta pessoa. Mesmo longe por mais de 10 dias isso aqui bombou. Obrigada)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Sweetest Goodbye

(Nós somos feitos de silêncios e sons...)




Terça-feira

Le: -E aí, quando vai ser sua despedida?

Fabi: - Que despedida?

Le: - Da sua viagem ué

Fabi: - Desde quando se faz despedida de viagem? Vou viajar, não vou embora.

Le: - Ahh, ficar longe 7 dias de você já merece despedida!

Fabi: - Ahhh que fofo né? Você está é querendo pretexto pra bagunça

Le: - Eu querendo ser agradável, olha no que dá... mas vai ser quando?

Fabi: - Não sei, a gente pode fazer um almoço, sei lá... eu vou sexta. Complicado, todo mundo trabalha.

Le: - Pode ser um almoço.

Fabi: - ok. Mas algo mais íntimo, lá em casa, na quinta...

Le: - Fechado.


Quinta-feira


Le: - Oi! Trouxe a sobremesa. Para ser uma despedida doce, como você.

Fabi: - Muito gentil de sua parte.

Le: - Tá querendo matar um morena? Tá maravilhosa.

Fabi: - Gostou? Amo esse vestido.

Le: - Linda

Dé: - Cheg.... mas o que que é isso? Pra que tanto capricho? Se soubesse teria vindo de terno.

Fabi: - Pára de ser bobo.

Le: - Estava falando disso agora...

Fabi: - Dizem que é pecado machucar uma mulher no seu melhor vestido. Deve ser por isso...

(...)

Um a um os amigos foram chegando. Dez no total. Seis mulheres, quatro homens. Foram se espalhando pela sala de jantar e pela varanda. O dia estava bonito. Conversavam sobre o passado e sobre o futuro. Sobre as lembranças e os planos. Faziam listas de desejos e de promessas. Falavam de Nova York, de Salvador, Búzios, do Rio. Lamentavam os desencontros e a partida. Torciam pelo sol e pelo bom senso. Torciam essencialmente para que o tempo passasse devagar, mas pra que ela voltasse logo...

Dé: - Eu trouxe a bebida. Suco. Como a dona da casa ordenou!

Ana: - Poxa Fabi, está de sacanagem!

Fabi: - Eu? É quinta-feira e todo mundo trabalha! Zelo por vocês, vamos brindar à saúde e a responsabilidade, esse brinde cai muito bem em véspera de carnaval... com suco!

Ela era zelosa com os amigos. Mais que consigo mesma. Não á toa ela apareceu minutos depois caminhando calmamente com uma taça de vinho na mão.

Le: - Por que você pode?

Fabi: - Sou imune! A única coisa que me derruba são as palavras...

Ela era a mais quieta do grupo. Respondia as perguntas pontualmente, quanto tempo, aonde ia ficar, com quem ia. Não se estendia e acompanhava os murmúrios dos amigos pelo canto da casa. Uma grande confusão de palavras, nada se distinguia. Como um bloco de carnaval desorganizado, em que não existia ritmo, só barulho. Era assim que ela se sentia. Não conseguiu se concentrar nos sons, nas mensagens, nos assuntos. Foi até o piano e tocou com um dedo, ainda em pé, algumas teclas. Seu corpo vibrou. Continuou com o dedilhar tímido, sem prestar atenção a sua volta. Deixou a taça de vinho na mesa e se sentou na banqueta do piano a sua frente. Tocou com as duas mãos a canção “Hello”, totalmente compenetrada. Com os olhos acompanhando as notas, expressão fechada. Emendou em seguida a canção “O vento” e sem sequer terminar a partitura, tocou “My Immortal” e “Sweest Goodbye”. Na última canção, no deixar as mãos enfim descansarem, olhou para os amigos esperando encontrar os ruídos. Mudos. Ela sequer tinha notado o silêncio daquelas 9 pessoas. Todos olhavam admirados para ela que, em nenhum momento, se sentiu notada. Todos, antes em movimento e elétricos, encostavam-se às paredes, nas poltronas, nas cadeiras, pareciam pesados e cansados. Como se as músicas se acumulassem na alma. Alguns tinham os olhos marejados. Ela não soube o que dizer. Sorriu. E tocou “Someone like you”. Ao terminar, ainda dedilhando notas avulsas de uma canção qualquer desejou aos amigos um ótimo carnaval.

Fabi: - Que vocês se divirtam, muito. E camisinha, por favor, que minha vocação de tia está, em contrato, exclusiva para Henry por um tempo.

Com a brincadeira os amigos voltaram a sorrir e conversar, sem que percebessem coisas mais amenas e intrigantes, como sonhos, amores e perdas. Como o presente. As falhas, as solidões, os medos. Ela então percebeu que seu amigo estava certo, era uma despedida. Ninguém ali notou, mas ela jamais seria a mesma.

(Amores, mais um ciclo se foi. Algumas vezes vim aqui para me despedir e mais uma vez é esse o intuito. Sempre quando, de alguma forma, minha poesia se machuca, ela se recolhe. Eu não gosto de ter a sensação que a minha vida acontece a mercê do que tenho que escrever. É como se essa minha necessidade de escrever fosse maior que qualquer coisa, qualquer poder de escolha, e por mais que seja bonito, ninguém quer. Porque dói. Porque, por vezes, você se sente escravo. Então, por isso, para não ferir mais ninguém com minhas notas tristes e meus silêncios necessários, para que o ritmo seja o mais alegre e festivo possível, eu me recolho inteira, mais uma vez. Sem tempo determinado. Vou para voltar outra. E por Deus, que essa outra seja melhor, mais forte e que ame a poesia e as letras tanto quanto essa que se despede agora. Divirtam-se. Cuidem-se, sempre e muito. Obrigada por tudo. Até mais...)

P.S Homens, jamais machuquem uma mulher quando ela estiver no seu melhor vestido.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Carta: Proposta indecente II

("Ah, como eu queria poder pegar tua mão e roubar tua alma, levar pra baixo de chuva e lavar com a minha...")


Entrelaça seus dedos nos meus?

Acredite, não posso pensar em nada mais indecente, mais promíscuo. Nada me deixaria mais vulnerável, mais penetrável. Nada me faria mais sua. É fácil me ter de todas e tantas maneiras, mas jamais dessa. Nada me toca mais que os dedos unidos, conectados, intermitentes. Mais que as coxas e a boca. Nada me ofende mais que o enlaçar minhas mãos sem minha permissão. Ceder o que há de mais sagrado em mim, deixar aprisionar meus dons e segredos. Fazer com que eu admita que em dois sou mais forte e que como qualquer outra preciso de segurança, de abrigo. Em minhas mãos reside minha fragilidade. Deixo repousar em você os dedos que emocionam ao tocar canções ao piano, que escrevem os textos poéticos, que digitam os dados precisos, que massageiam almas e corpos cansados, que afagam e guiam, que folheiam e selecionam. Muitos conquistam meu corpo, raros alcançam minhas mãos. Não permito a qualquer um o ato de amor mais delicado, a cumplicidade mais velada, a afetividade mais terna. Não divulgo paixão, nem escancaro amor. Como dizem, a inveja e o ciúme têm sono leve e olhos grandes. Deixo os beijos e carinhos acalorados para o íntimo. Na rua, entre amigos, conhecidos e estranhos, nos bares e nas visitas, quero que duvidem dos sentimentos, que se interroguem sobre a relação, que menosprezem a união. Em público são os dedos que escandalizam o amor por debaixo da mesa, cobertos por toalhas e guardanapos, indecentes nas entrelinhas. Desenhando sorrisos indecifráveis aos outros. Ensaiando os desejos que, posteriormente, serão reproduzidos pelos corpos, enfim completos. Esquentando as fantasias, incitando o tesão, suando e resistindo. São pelas e nas mãos que permito o encaixe perfeito, que me deixo acorrentar a alma, que misturo as linhas da vida, que viro cartomante tátil. Como dançarina a esperar o partner ideal, como enfermo desejando amparo, como Wall-e procurando Eve, como cego aspirando rumo, como criança aprendendo o equilíbrio. Como quem sabe que as melhores obscenidades são ditas aos sussurros e feitas de particularidades, silêncios e espera. Feita a quatro mãos. Então, eu lhe proponho... entrelaça seus dedos nos meus?

De duas mãos abandonadas,
Fabi Mariano

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Gostaria de ter feito: Forte, mas necessário

Outro dia, em um mesa de bar, discutia com amigos propagandas de trânsito. Uma amiga que esteve em Nova York comentou que viu a propaganda mais chocante sobre segurança -ou a falta dela - no trânsito que ela já tinha visto. E a discussão durou bastante. Alguns achando que as propagandas não precisavam ser tão apelativas, eu ao contrário, acho que estão certíssimas em serem fortes. Não funciona de outro jeito, aliás, quase não funciona de jeito nenhum né? Mas, carnaval chegando, muitas festas, muita bebida, achei bom dar uma de mãe e passar o sermão com direito a trauma. Selecionei duas, uma forte - inclusive essa que minha amiga citou, é o primeiro video - e uma mais leve, sobre trânsito. Tentar conscientizar ou assustar mesmo. Cinto, não beba, não corra e não tuite dirigindo, cof, cof, cof. Qual vocês acham que tem melhor resultado? Eu confesso que fiquei com a primeira uns bons dias na cabeça.





Acontece com a gente também...




(Próximo post tem proposta indecente 2 - o Retorno)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Diálogos: Direto da redação

(Ah, o jornalismo...)


I. BOOMM

E: - Como anda a Economia?
Fabi: - Bombando!
E: - Sério? Muita coisa?
Fabi: - Não, tudo indo pelos ares mesmo
E: - hahahah

II. Clássico

Amigo jornalista esportivo e eu, de economia, na hora do café:

Eu: - E aí?
Ele: Sofrendo com a crise no Flamengo. E você?
Eu: - Sofrendo com a crise na zona do euro

Silêncio

Eu: - Ok, ok, você ganhou.

... Tenso.

De volta as computadores.


III. Welcome to the jungle

Pelo msn

Fabi: - Tem uma minhoca aqui!
David: - aqui aonde?
Fabi: - Do meu lado. Nojento
David: - Mata. Pisa nela.
Fabi: - Não! Ela viva é nojenta, mas morta é mais ainda...
David: - Então deixa ela aí
Fabi: - Mas ela está vindo pra cá
David: - O que você vai fazer?
Fabi: - Sei lá, você que é o homem
David: - Vou aí matar
Fabi: - Não! Deixa ela... se ela começar a vir pro meu lado você vem e mata
David: - Fabi, até ela chegar até você a gente já foi embora, olha como ela é rápida
Fabi: - Tá, então deixa ela aí

(minutos depois...)

Fabi: - Ela tá vindo.
David: - Fica tranquila
Fabi: - Não estou tranquila, ela tá vindo
David: - Daqui a pouco a Bia chega e grita "olha a minhoca" e vai contar uma história, o Felipe vai querer matá-la com a raquete de matar mosquito e a Joana vai achar nojento. Vão tirá-la daí e você vai ficar tranquila.
Fabi: - hahah pior que vai ser assim mesmo...

(Bia chega...)Link

Bia: - Olha a minhoca! Eu tenho uma amiga que faz Biologia e ela pega até minhocas e...
Felipe: - Deixa que eu mato!
Joana: - Você vai matar com a raquete de matar mosquito?

David: - hahahah Tá tranquila?
Fabi: - hahahhah como não né?

IV. Ai se eu te pego

F: - Tá irritada?
Fabi: - Um pouco, tive um problema no banco
F: - Relaxe ao som do novo Michel Télo: link!
Fabi: - Ai, ai...

Tem como não amar?


(... e não me pergunte como a minhoca entrou na redação...)

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Galeria: Livrarias

(Olha eu aqui... vou compensar a demora de atualização com uma novidade. Uma nova tag. Como ando apaixonada por fotografia, vou inaugurar a tag "Galeria". Nada mais do que fotos, sobre diferentes assuntos, minhas ou não. Para começar, uma que eu me amei a primeira vista - ou clique - no site da Flavorwire que eu amo! Eu sou meio resistente em colocar coisas em inglês ou outros idiomas aqui, mas, vou começar a fazê-los. E melhor, vou traduzir. Sempre que as galerias não forem minhas vou colocar as fontes, tudo direitinho. Essa de hoje eu gostei tanto que fiz dela uma meta de vida. Vou conhecer TODAS! Três delas já conheço, mas vou ter que voltar e ao menos tentar fotografar para validar a meta. Quem me acompanha? Aposto que vai ser divertido)

Com a Amazon lentamente tomando conta do mundo editorial e livrarias fechando a torto e a direta, as coisas podem às vezes parecer um pouco cruel para os livreiros de tijolos e argamassa do mundo. Afinal, por que alguém iria deixar o conforto de seu sofá para comprar um livro quando com apenas um clique de um botão, eles poderiam tê-lo entregue à sua porta? Bem, aqui está o porquê: livrarias tão bonitas que valem a pena sair de casa (ou do país) para visitá-las, se você precisar de um novo livro ou não. Não podemos superestimar a importância das livrarias – que não centros comunitários, locais para navegar e descobrir vários monumentos da literatura de uma só vez – por isso coloquei uma lista das livrarias mais belas do mundo, da Bélgica até o Japão e Eslováquia. Só para vocês saberem, todos os fanáticos de livraria: nem a Strand, nem a Powell estão nesta lista. Ambas são grandes livrarias, é claro, mas não particularmente bonitas, e, portanto, desclassificadas. Veja as nossas escolhas para as livrarias mais belas do mundo, e como sempre, se tivermos deixado a sua favorita de fora, não se esqueça de adicionar à coleção nos comentários.

1) Uma linda igreja Dominicana convertida em livraria. Selexyz Bookstore, Maastricht, Holanda


2) Design moderno em uma loja cheia de livros de arte. A Livraria Bookàbar, Roma, Itália

3) Nós amamos as escadas como área de leitura e exposição, as estantes de parede a parede, e o design simples e limpo. Livraria Plural, Bratislava, Eslováquia


4) Esta livraria neo-gótico divina, inaugurado em 1906, contém o que consideramos ser a definição final de uma escada para o céu. Livraria Lello, Porto, Portugal


5) De alguma forma, esta livraria consegue ser tanto caprichosa e um pouco macabro de uma só vez. Cook & Book, Bruxelas, Bélgica


6) Há magia no ar, nesta livraria em Pequim. Bookworm, em Pequim, China


7) Este palácio majestoso de 1920 usa salas de teatro para leitura e atrai milhares de turistas todos os anos. Librería El Ateneo Grand Splendid, em Buenos Aires, Argentina





8) Como poderia qualquer criança (ou adulto, qual o problema?) resistir aos encantos deliciosos da leitura? República Popular Kid, Pequim, China



9) Esta é uma livraria que parece ser feito quase inteiramente de livros - até as portas dianteiras. Livraria da Vila, São Paulo, Brasil

10) Para quem gosta de espaços verdes (e cafés) a invadir suas livraria. Cafebreria El Pendulo, Cidade do México, México

11) Para aqueles que não são tão impressionados com a arquitetura como são pela beleza de livros sobre livros sobre livros em corredores estreitos - para não mencionar um lugar para tirar uma soneca. Shakespeare & Company, Paris, França

12) O espaço enorme, tetos altos e imponentes pilares para fazer uma experiência de leitura agradável. A Livraria Última, Los Angeles, CA


13) Para os que gostam de leitura e de praia igualmente, esta livraria é um pouco menos ostensiva do que algumas dos outras nesta lista, mas não menos bela. Atlantis Books, Santorini, Grécia





14) A maior livraria ao ar livre no mundo, esta foto realmente não faz justiça ao local. Livros de Bart, Ojai


15) A seção de livraria do maior complexo dedicado à arte e design certamente faz jus à sua missão. Corso Como Bookshop, Milão, Itália







16) Tetos arredondados e iluminação decorativa. Barter Books, Alnwick, Reino Unido






17) Este espaço tem um design muito bonito, surpreendentes formas, cantos e recantos e até mesmo uma árvore. The American Book Center, Amsterdam, Holanda



18) Quase utilitário, mas cheia de graça do velho mundo simples. VVG, Taipei, Taiwan



19) Esta loja tem uma bicicleta voando e livros até o teto. É preciso dizer mais? Ler Devagar, em Lisboa, Portugal




20) Super-moderna, loja de design limpo e jogo encantador de luz e espelhos. Daikanyama T-Site, Tóquio, Japão







E aí? Gostaram? É de querer pegar o passaporte na hora né? Qual a preferida de vocês? Eu sinceramente me apaixonei pela de Paris, e quem diria, pela de Buenos Aires, linda. Mas, acho que faltou uma aí nesta lista. A livraria Travessa - qualquer uma - aqui do Rio, são lindíssimas (foto). E a Cultura da Av. Paulista em São Paulo também merece destaque. O que vocês acham? Quem tiver foto de livrarias das suas cidades - ou outros lugares - me mande. Quem sabe a gente não faz a nossa própria lista? Espero que tenham gostado e venham passar vontade junto comigo...



(Leiam! Sempre e muito)