Amiga,
Todos os seus amigos tinham medo de você virar uma jornalista extremamente racional e insensível. Quando você passou pela faculdade e saiu intacta respiramos aliviados, esperando você escolher o jornalismo esportivo, em nossas mentes, mais leve e livre para que você pudesse metaforizar e brincar com as palavras. Então você decretou: economia. E lá estávamos nós novamente afoitos, aterrorizados em vê-la pensando em números e taxas. Doce – e muito doce – engano. Em meio a PIB, índices, bolsas, câmbios, crises, mercados, hedge, a Fabi extremamente sensível sobrevive. E como foi bom perceber isso logo com meu filho. A delicadeza em fazer com que a saudade dele fosse menor, a imaginação de fazê-lo escorregar no arco-íris, a inteligência com que lida com as manhas dele, as aulas de música brasileira, a persistência em fazê-lo vencer seus medos, a sabedoria ao lhe ensinar sobre as coisas da vida de uma forma muito suave. Até parece que viver é bom e é fácil. Ao lhe ver brincar com ele e com as plantas, colocar a mão na terra e se assustar com o questionamento de “pra que serve uma planta”? Eu percebi que talvez esteja me faltando um monte da sensibilidade que temi que desaparecesse em você. Mais uma vez, com muita paciência e bom tato, lá foi você sentar com ele no sofá para ver “Wall-e” e quem sabe conseguir fazer com que ele entendesse que plantas não têm que servir para nada. Ao contrário de nós e das coisas. “A gente tem mania de coisificar tudo, Henry”, você disse, ele não entendeu, e eu aprendi. E claro, escondendo o bonequinho do Wall-e no meio da pipoca, para com suas palavras “deixar os sonhos um pouco mais ao alcance das mãos, isso é importante, Sa”. Como é. Você é um tanto de sonho que trago pra perto do meu pequeno. Quando estou com você e com Henry, eu deixo de ser mãe pra deixar você ser e aprendo tanto observando de fora. Você me faz uma mãe melhor. Você é uma mãe melhor. E fico feliz em saber que escolhi você para ser a segunda mãe de Henry. Já disse e repito sempre, é o melhor presente da vida que posso dar e deixar pra ele. Não me surpreende em nada o amor incondicional que ele tem por você e, eu sei, vice-versa. Tenho muito que te agradecer. E em especial pelo melhor presente dos últimos tempos. Você que sempre soube que eu queria fazer uma tatuagem para ele e sem saber bem o que, me deu o melhor e mais bonito presente, o que realmente define tudo. Um H lindamente desenhado no pulso que quando virado, se lê “Love”. Perfeito. Como tudo que vem de você. Muitas pessoas não entendem porque seus amigos puxam tanto seu saco e te mimam tanto. A única coisa que fazemos, esses que sabemos bem o porquê, é lamentar: grande azar o deles. Obrigada por tudo, mais uma vez, amiga....
Eu te amo,
Samara,
E Henry.

































