domingo, 27 de dezembro de 2009

Diálogos: De louco...





Confissões

Fabi: - Já teve a sensação de estar sendo observado?
Le: - Já sim, isso é comum em banheiros masculinos hahaha
Fabi: - Estou falando sério. Observado mesmo, assim espionado, por alguém escondido
Le: - Não sei morena, por quê?
Fabi: - Olha aquele quadro
Le: - O que que tem?
Fabi: - A moça, do quadro, está nos observando! Vou colocar uma roupa
Le: - Morena, cadê seu celular?
Fabi: - Pra que? Eu falando algo sério e você quer fazer uma ligação?
Le: - Pro psicólogo, você está precisando, aliás, psiquiatra, é melhor.
Fabi: - Ah sim, eu preciso de terapia. Você tem medo de borboleta e eu que tenho que fazer terapia?
Le: - Shiuuuu, não fala isso assim alto. Imagina se alguém escuta, vai colocar minha masculinidade em jogo!
Fabi: - A-há! Acabou de confessar que pode mesmo ter alguém nos observando.
Le: - Desde que entrei desconfio dessa mulher. Vai, você tira o quadro e eu encho o espião de porrada...

Garganta

Be: - Estou com uma vontade de sair nu por aí
Fabi: - O que?
Be: - Estou com vontade de sair andando pelado por aí
Fabi: - Está maluco?
Be: - Não, só queria me sentir completamente livre
Fabi: - Livre? Você seria é preso por atentado ao pudor
Be: - Ah Fabi, relaxa, vai me dizer que você não tem essa vontade?
Fabi: - É... pensando bem, poderia ser uma boa, vamos?
Be: - Que?
Fabi: - Vamos ué, sair nus por aí. Que tal agora?
Be: - Queee?
Fabi: - Vamos Be! Qual o problema?
Be: - Ihhh, vou embora. Você está estranha, cada idéia maluca


...todo mundo tem um pouco.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Cartas: Relativizando





Amado Henry,

Há muito tempo eu não escrevia uma carta de Natal, quando era pequena escrevia muitas delas, todas recheadas de pedidos, hoje a única coisa que faço é agradecer. Com isso, ao mesmo tempo em que sinto que a data perdeu um pouco a graça durante os anos, vejo que ganhou muito em sentido e por isso mesmo ao sentar para escrever sobre o Natal para você, percebi que talvez esse seja um Natal diferente, justamente por essa minha conscientização de significados. Talvez esse ano as luzes pela cidade façam alguma diferença interna, de esclarecimento, talvez os abraços sejam mais demorados e se aquele de sempre não vier que se multipliquem os minutos dos que estão dispostos a estarem comigo, com você, com cada um. E mesmo que eu não consiga ficar sozinha como eu desejava, pretendo arrumar um tempo para falar a sós com Deus. Quero ter a que brindar ao invés de beber champanhe para tentar sorrir porque é isso que todos esperam de mim, quero vestir o espírito natalino com indumentária completa, mesmo que eu derreta em um Natal brasileiro que acontece em pleno verão no Rio de Janeiro. Quero sentir essa magia que se perdeu em algum ano que nem me lembro mais... Quero voltar a ser criança, sentir a ansiedade boa pelo dia seguinte onde todos os presentes me esperavam na árvore de Natal. Quero saber que meus presentes realmente estarão todos ali, reunidos em torno de uma mesa, se fartando de boa comida e bebida e rindo uns dos outros, todos os que eu amo. Quero agradecer a Deus por atender ao meu pedido ao invés de Papai Noel e quero saber que ele desenhou e preparou cada um deles especialmente para mim, posso até ver o embrulho e o capricho na letra manuscrita, escrita de próprio punho uma dedicatória de amor em cada um deles, a letra bem torneada e caprichosa: “Para Fabi”. E quanto eu tenho a agradecer por todas as pessoas-presentes que atravessaram meus dias, meus meses, meus anos. Sabe Henry, você ainda vai viver essa magia por muito tempo até perceber que o Natal pode acontecer todo dia, dentro de nós – e isso nem é música da Xuxa – mas é uma esperança boa que nos toma quando a gente passa a acreditar que simplesmente pode ser diferente, sem se preocupar muito em como. Que um novo Natal aconteça todo dia dentro de você, que suas preces ainda sem forma sejam todas ouvidas e concedidas e que você saiba agradecer, acreditar e valorizar cada pequeno milagre.

Beijos com muitos presentes e neve,
Tia Nane

(Um Feliz Natal a todos...)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Silêncio e Sons





(somos dois, deitados no chão da varanda olhando as estrelas, tomando vinho ao som de Ana Carolina )

B: – Você gosta mesmo de...
Fabi: - Eu o amo
B: - Pow, você nem pensou!
Fabi: - Quando você precisa parar pra pensar se gosta de alguém é porque não gosta mais, nunca mais.
B: - Bonito isso
Fabi: - Alguém me disse um dia, nunca esqueci
B: - Foi ele?
Fabi: - Não sei
B: - Ele pára pra pensar pra responder?
Fabi: - Não sei
B: - Por que você gosta dele?
Fabi: - Não é da sua conta
B: - Achei que fosse falar ‘não sei’ de novo. Mas você tem razão, não tenho nada com isso
Fabi: - Queria entender porque você se preocupa tanto...
B: - Não é da sua conta

(silêncio)

B: - Eu gosto de conversar com você. Eu me sinto livre para falar do que eu quiser, não sei, é diferente
Fabi: - Deve ser porque você sabe que sempre vai ouvir a verdade de mim, até e principalmente quando o assunto não é da sua conta. E quando eu achar que a verdade não é o suficiente ou simplesmente não cai bem, eu vou ficar quieta. Há sempre o jeito e a hora certa de comunicar
B: - Isso alguém te disse também?
Fabi: - Não, isso eu acabei de inventar para impressionar você.
B: - hahaha Conseguiu. Você é boa no que faz.
Fabi: - O que mais eu sou?
B: - Enigmática
Fabi: - Não sei por que falam tanto isso de mim
B: - Porque você é. É tão fascinante, inteligente, divertida, poética, que as pessoas querem sempre saber cada detalhe, e você não deixa. Eu sou louco para descobrir tudo que se passa aí dentro.
Fabi: - Talvez você se decepcione
B: - Talvez eu me surpreenda
Fabi: - Eu também...

(silêncio)

“Vem pra cá” no som.

B: - Você ama tão profundamente que perto de você eu tenho a sensação de nunca ter amado. Acho que nunca amei.

Tive vontade de dizer, é você não amou. Definitivamente, você sabe quando ama. A primeira vez é extremamente confusa e você só tem consciência do sentimento quando você perde o destinatário do seu amor. Depois dos beijos, das brigas, dos orgasmos, das cumplicidades, das risadas, dos poemas, das fotos, das noites em claro, das garrafas vazias, das marcas, das mentiras, das frustrações. Você só percebe depois que tudo isso passa e o que fica são o respeito e o desejo de felicidade. Você deseja que o outro seja feliz, mesmo longe, mesmo sem você. E você tem uma saudade saudável de saber que você jamais seria como é sem ter vivido tudo aquilo. Porque mesmo sem saber, você se sente imensamente livre, sendo de alguém. E é bom ser de alguém. Você sabe então, amou.
Tive vontade de afagar aquele cabelo loiro e dizer, não tenha pressa. Logo eu, que aprendi a amar desde tão cedo, que explodi nessa intensidade que o fascina agora, mesmo antes de enjoar de brincar com as bonecas, quando dei por mim, eu já estava sentindo. Com todos os sintomas habituais e tão inexplicáveis. Sempre o amor, com o poder de ser e levarmos aos extremos com uma facilidade e velocidade invejada por qualquer raio de luz. O amor lhe torna a pessoa mais incrível do mundo, você se sente tão poderoso e realmente o é, mas lhe torna também a pessoa mais miserável, capaz de implorar qualquer migalha para matar a fome do outro. Você é capaz de rir por qualquer bobagem e chorar até que o mundo pare para te ouvir ou até que você se canse – o mais provável. Você passa a sentir prazer em coisas antes inimagináveis e terá vontade de gritar tantas outras vezes. Você vai querer eternizar aquele sentimento de qualquer jeito, com presentes, com retratos, com palavras, com um filho. E você vai se perguntar como você conseguia viver sem isso? Meu Deus, como? Parece tão vazio sem, parece que você antes nunca foi sozinho. E você vai se desesperar, se preocupar, quebrar copos, vasos e vai mudar de planos, de sonhos e quando o outro simplesmente vai, dói. Dói mesmo, sabe dessas dores que latejam, que ardem, que parecem intocáveis e incurráveis, incompreensíveis? E eu tive vontade de completar dizendo, mesmo depois de tudo isso, você vai querer mais, e sempre mais, muito mais do que deseja amar agora.
Não pude pedir para que ele não tivesse pressa. Eu tenho. Mas quis dizer para que ele tivesse cuidado, que esse sentimento é o que mais vai tirá-lo o chão, você vai querer cometer loucuras, querer se refazer só para ser quem ela sempre sonhou. E ele teria que carregar por toda a sua vida os restos de cada uma das pessoas que ele amou e por vezes isso pesa, pesa muito. E apesar de tudo que gostaria de dizer a ele, eu não sabia nada sobre o amor. Ele poderia muito bem viver tudo de uma forma tão reveladoramente diferente. Poderia ser mais ameno e mesmo assim ser amor. Poderia ser mais leve e aí sim ser amor. Poderia ser mais passional e bastar. Poderia ser despretensioso e válido. Talvez o amor dele fosse tecido de felicidades e distante das perdas, ao contrário dos meus.
Quis dizer que mesmo depois de ter amado sim, a busca não se torna mais fácil e não o reconhecemos logo de cara, pelo contrário. Você teme chamar o amor de amor, ele vem carregado de responsabilidades, de entrega, de permissividades, de desapego a si mesmo, de compaixão, de necessidade de mutação, de adaptação, que você pensa duas, três, mil vezes antes de falar “eu te amo” e por isso mesmo quando você diz, é sempre multiplicado por todas as suas experiências passadas, todos os erros feitos, todas as falhas, todos os indícios de fracasso. Você se cobra tanto mais para que dê certo, para que finalmente seja aquele o seu amor. Tudo se intensifica tanto, tanto e mais, mais. Todas aquelas promessas de nunca mais amar ninguém, de jamais se entregar novamente daquele jeito, de viver uma vida de esbórnia e vulgaridades, desaparecem.
Eu quis dizer tudo isso a ele, mas não disse. Eu deixei que ele doesse em silêncio, enquanto todos os meus amores passados gritavam suas saudades e tristezas na minha lembrança....

(somos dois, deitados no chão da varanda olhando as estrelas, tomando vinho e com razões suficientemente fortes para chorar...)

sábado, 19 de dezembro de 2009

Diálogos: Dele




A foto chamava atenção no MSN. De olho, atrás dela no computador, ele lia cada mensagem provocativa dos amigos. Quando ela se virou viu sua cara de descontentamento. Logo em seguida, ele fez o pedido, olhando a imagem...

- Tira?

...

- A roupa? - ela respondeu sorrindo e já tirando a blusa

Ele então sorriu e sabia. Ela era dele, só dele. Nada mais importava.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Surpresa de Segunda



Segunda-feira, quase uma hora da manhã. Esperar algo bom da televisão aberta nesse horário é quase como querer um domingo sem se deprimir depois da musiquinha do Fantástico ou as piadinhas-de-sempre-sem-graça do Faustão. Até as entrevistas do Programa do Jô parecem não colaborar, um cara falando sobre qualquer assunto tão interessante que já me esqueci e outro sobre crimes de internet – a parte do plágio até que foi útil – mas não era exatamente o que eu precisava depois de um dia de intrigas, desconfianças, brigas, abandono – tá, chega, já está ficando dramático demais. Não sei se vocês sabem mas depois do Jô as segundas vem a Sessão Brasil, traduzindo, o InterCine exibe filmes nacionais antigos. Animador, não? Sim! Com a habitual mania de deixar a TV ligada tive uma grata surpresa em uma madrugada em que precisava mesmo me distrair. E, sabe quando você lê, vê, ouve, sente algo que parece feito especialmente para você? Foi o que aconteceu. Estava sentada em frente ao computador sem fazer nada em especial quando o filme começou, nas primeiras falas já desviei o olhar para a outra tela. O texto era forte e bem humorado. Respondi as últimas mensagens dos já impacientes pela minha desatenção repentina contatos do MSN e fui para cama, assistir ao filme brasileiro.
“Fica comigo esta noite” é o nome da agradável surpresa. A princípio uma comédia romântica que brinca com a morte. Depois de algumas poucas cenas o filme se torna uma ótima história de amor, com diálogos inteligentes e bem humorados, citações poéticas que vão de Fernando Pessoa a Nietszche. Vladimir Brictha e Alinne Moraes se destacam por suas atuações brilhantes, acompanhados de Laura Cardoso, o apaixonante Gustavo Falcão e Milton Gonçalves, a direção é de João Falcão. Buscando sobre o filme, descobri que foi lançado em 2006, quando eu ainda morava em uma cidade do interior de Minas, o que provavelmente faz com que eu nem me lembre da estréia ou dos comentários da obra. Uma pena. O filme foge a regra dos filmes nacionais de prestígio como “Central do Brasil”, “Tropa de Elite”, “Abril Despedaçado”, “Cidade de Deus”. Não existe violência, pobreza e nenhum drama pesado. A única tristeza é levada com muita leveza e poesia, a morte do marido de um jovem casal com uma relação desgastada, mas visivelmente sincera e intensa. Edu, o marido, faz de tudo então para voltar ao mundo dos vivos para se despedir de forma amável da mulher que ama, para isso conta com os conselhos de outro fantasma apaixonado, que espera há muitos anos por sua paixão. Um enredo que tinha tudo para cair no banal, ou até no ridículo, mas mantém uma postura impecável de reflexões e entrelinhas cobertas de questões pertinentes a qualquer um que já tenha amado ou simplesmente vivido.
Para alguém que tinha acabado de desligar o telefone depois de um desentendimento com quem ama, uma punhalada dolorida e com gostinho de arrependimento. Tive vontade de pegar o telefone as quase três da manhã e ligar para dizer que amo, mas tive medo de não ser atendida. Medo de ter a intenção e não ser correspondida, medo de não ouvir o que se esperava porque o outro simplesmente não está na mesma sintonia. Dessas coisas que nos calam. Ainda bem que no meu caso não foi tão definitivo quanto a morte, mas como saber quando será? Um filme de primeira passado em um dia de segunda.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Ar-dores


Porque quando não caio no mar,
ele cai em mim.
Esse gosto salgado na boca,
não me deixa mentir.


(Uma pitada de chuva, um bocado de mar. Soro. Pra curar...)

domingo, 13 de dezembro de 2009

Livro Aberto: Quem você gostaria de ser?





Você já pensou ou quis ser: homem, mulher, criança novamente ou velho de repente, drogado, uma cadeira, prostituta, o sol, famoso, mãe, uma barata, avó, rico, miserável, um cachorro, feliz, incompreendido, talentoso, um sentimento, adolescente, extrovertido. Já quis ser o extremo oposto do que é, ou exatamente quem você é em outra situação, em outro ângulo? Aposto que sim. Todos em algum momento têm esse desejo. Existem alguns privilegiados que podem ter várias vidas em uma só. Errou quem pensou nos atores, esse poder de multi-personalidade, de deslocamento de eu-lírico é uma particularidade dos escritores - Fernando Pessoa que o diga. Admiro todos os grandes dramaturgos e alguns bons autores que possuem o dom apurado de se transformar em outro para escrever. Personagens complexos e completos, com todas as especificidades que carregam todos os seres humanos, exercício de abstenção de si mesmo que deve ser aplaudido de pé. Markus Zusak, autor de “A menina que roubava livros” e “Eu sou o mensageiro” (The Messenger, 2007, Editora Intrínseca) entrou para o hall dos meus admirados autores com essa habilidade. Já tinha destacado esse aspecto depois da leitura do primeiro livro citado, aonde o autor se transforma em nada mais, nada menos que na morte e ao ler, recentemente, o segundo título, comprovei e levei a cartório minha constatação. Em “Eu sou o mensageiro” Markus se transforma em um adolescente de 19 anos e você acredita mesmo que ele seja. Na forma de falar, de pensar, de sentir. Ed, o personagem, é um garoto acomodado, sem perspectiva, fadado a qualquer coisa parecido com o fracasso. Até que um dia recebe pequenas missões em cartas de baralho, missões as quais ele não poderá fugir de realizar. A partir de então, Ed adquire um olhar mais atento a tudo que acontece a sua volta, começando pela parte mais fácil, com os que estão distante e depois paradoxalmente ao mais difícil, de quem está perto. Esse é um exercício complicado, diretamente ligado ao trabalho do escritor, de se despir de todos os seus conceitos, julgamentos, opiniões, anseios, para se colocar no lugar do outro e pensar e agir como outro. Algo que deveríamos estar mais aptos e dispostos a fazer, quem sabe assim descobriríamos as várias histórias que se escondem em nós, as várias mensagens, as várias vidas que nos completariam e fariam com que tivéssemos mais compreensão e respeito com o próximo. É uma boa solução para o recorrente desejo de mais do ser humano, querer ser muitos, ao invés de querer ser muito, em um só. Tudo que se divide, pesa menos. Recomendo a leitura.

(E você? Quem você gostaria de ser? Tente...)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Diário Feminino: Primeira vez




Rio de Janeiro, 10 de dezembro de 2009.

3 meses de namoro. Parece bem mais. Talvez porque nós éramos amigos antes de nos apaixonarmos, tão intensamente. Isso é estranho, não é? Você convive anos com uma pessoa e de repente se dá conta de que o que você procurava longe estava bem perto. Segundo ele, ele foi o primeiro a se dar conta e não saber o que fazer com isso. Disse que sofreu em silêncio muitas vezes e ao som de Cazuza e Engenheiros do Hawaí muitas outras. Eu até imagino as músicas. Até que um dia, em mais um dia que eu sofria por outro, ele se declarou. No começo, eu me senti ofendida, falei que ele estava confundindo as coisas e todo aquele papo clichê. Não, não ele estava. Fiquei uma semana tentando fugir dele e do que eu sentia. Quase insuportável. E ele sabia. Primeiro porque existia a reciprocidade e também, ninguém me conhece como ele. E ele me ama, mesmo assim. Então eu me reaproximei e nem precisei dizer nada.
Hoje, 3 meses de namoro. Vamos dar um passo importante no relacionamento. Nada foi verbalizado, mas eu sinto. Vocês sabem do que eu estou falando né? Estou nervosa. É a minha primeira vez e dizem que sempre é inesquecível, tomara que isso seja pelo lado positivo, eu nunca soube se era. Apesar de ter tido outros três namorados sérios, eu nunca me permiti que isso acontecesse. Não sentia segurança, saca? Não sabia se eles me amavam. E como e quando saber, não é? Ao menos ele ma passa tranqüilidade, vai fazer com que seja romântico e indolor. Sim, porque uma decisão dessa requer antes de mais nada, confiança. Não tenho idéia do que vestir. Pensei em algo provocante mas para uma primeira vez, pode parecer desespero, uma súplica. E também, nem sei onde ele vai me levar. Se o lugar é chique, meia-boca ou daqueles lugares fuleiras que ele tanto gosta. Quer saber? Não estou preocupada com isso. Minha tensão está concentrada no ato em si. É abrir mão de algo seu né? É conceder ao outro uma invasão em você. Tenho certeza que vou tremer, suar e dar todos os sinais possíveis que a situação está me deixando nervosa. Ainda bem que os homens não se ligam muito nessas coisas. Segundo minhas amigas – é, eu contei para elas – eles se importam só com o tamanho da coisa. Parece que eles acham que nós vamos achar sempre pequeno. Cá entre nós, eu espero mesmo que seja grande. Quanto maior, melhor e ainda poder dizer, “é meu”. Na verdade, o que importa mesmo é a espessura. Quero algo grosso, ostensivo. Muito fino não dá. Eu só quero mesmo é que encaixe bem, sem machucar. Espero que ele coloque devagar, aproveitando o momento e que tenha música ao fundo. Nesses momentos música é fundamental. A mais romântica. Enquanto coloca olhe nos meus olhos e termine enfiando com a determinação de quem sabe o que quer. Ai, será que eu estou pedindo muito? Será que passo um creminho antes para ajudar a deslizar? Eu não tenho experiência nisso, portanto pare de rir. Será que ele vai me achar imatura pelas minhas reações? E pior ainda por ter contado para a minha mãe da possibilidade? E ela ainda veio com aquele papo de me preservar para não sofrer. Coisa de mãe. Pro meu pai, imagina, nem toquei no assunto, ele ainda me acha uma criança, faria um escândalo. Eu até vi alguns filmes para me inspirar, confesso. Ensaiei caras e bocas no espelho, mesmo sabendo que na hora isso não vai adiantar de nada. Estou com medo do que vou sentir. Mas sabe, tem que ser com ele, não imagino fazendo isso com outra pessoa...

Afinal, casamento para mim é para sempre e o noivado é o primeiro passo. E sim, ele vai ter bom gosto na escolha das alianças...



(E você aí, pensando bobagem...tsc )

P.S. Acho que vem uma nova tag por aí. Vamos ver...
P.S2. Isso é pura ficção. Mesmo.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Gostaria de ter feito IV: O quarto poder

Comercial bom é aquele que faz a gente parar toda vez que passa...







(Essas coisas arrepiam só a mim?)

domingo, 6 de dezembro de 2009

Diálogos: Das brigas




1. Bem


Di: -Disse que me contaria o porque.
Fabi: -Dizer nunca foi o mesmo que prometer.
Di: - Eu só quero entender. Custa?
Fabi: -Pra que entenda, terá que crescer.
Di: - Ah, essa é ótima, dados seus enigmas.
Fabi: - Antes meus enigmas que seus estigmas.
Di: - Qual é a vantagem?
Fabi: - A vantagem é que você não pode reclamar.
Di: - Você tem um gênio irascível
Fabi: - Antes isso que seu ego invencível.
Di: - É isso, chega. Meu CD do Djavan, por favor.
Fabi: - Ah, sim. Leve-o e me deixe agonizante de dor.
Di: - Captei a ironia.
Fabi: - Que ironia?
Di: - Certo. Uma pergunta. Quando posso pegar meus bens?
Fabi: - Você sempre decidiu seus bens, reféns, améns. Aliás, que coisa brega. Bens?
Di: - Como queira. De noite ou dia?
Fabi: - Meio.
Di: - O que?
Fabi: - Meia-noite. Meio-dia.
Di: - Isso explica porque deixa tudo pela metade.
Fabi: - Queria compreender sua irritante alegria.
Di: -Certo, sempre achei que fosse pecado sorrir. Vou-me.
Fabi: -Antes cedo que tarde.
Di: - Procure não fazer alarde.
Fabi: - Captei a ironia.
Di: - Ironia? Não. É palavra de luxo.
Fabi: - Deixa disso, é citação da Adélia Prado.
Di: - Esqueci-me. Seu amor platônico é louco.
Fabi: - Ele não grita quando quebro um prato.
Di: - Ele também não grita por pouco.

...


(Meu Deus... Agora entendi o que ele quis dizer)


2. Noite

Felipe: - Tem mais alguma coisa pra me falar?
Fabi: - Não...
Felipe: - Então é isso, boa noite
Fabi: - Boa noite


minutos depois...



Felipe: - Você me ligou? Estava no banho...
Fabi: - Liguei, na verdade eu tinha mais uma coisa pra te falar, mas deixa pra lá
Felipe: - Fala...
Fabi: - Não, deixa pra lá.
Felipe: - Tem certeza?
Fabi: - Não...
Felipe: - Então fala
Fabi: - Eu só queria dizer que eu te amo... só.
Felipe: - Só?
Fabi: - Só. Não queria dormir sem te falar isso.
Felipe: - hum
Fabi: - Espero que você tenha uma boa noite
Felipe: - Você sabe que é recíproco, talvez por isso essas coisas aconteçam. Boa noite.

(...e ela não dormiu...)