quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Carta: Para o Papai Noel

(Porque a criança dentro de mim nunca morre...)



Querido Papai Noel,

Como passou este ano? Espero que bem. Como lhe prometi na carta do ano passado, há exatamente um ano, volto a lhe escrever para mantermos contato e a assiduidade das cartinhas de Natal. E bem esse ano eu não poderia deixar de te escrever. Aposto que o senhor é um poço de orgulho nesse momento. Deve estar relendo minha ficha dos 365 dias passados com um sorriso enorme no rosto e falando “essa é minha garota, boa menina”. Eu fui. Acho que como em nenhum outro ano, eu fui uma boa menina. Fiz duas promessas na virada de ano de 2011, uma pública, dizendo que queria estar presente na vida de todas as pessoas importantes pra mim. Cumpri. Outra íntima e secreta: eu vou ser uma boa pessoa, não vou fugir aos meus ideais, comprometimentos, responsabilidades, educação e sonhos. Índole. Cumpri. E não foi fácil. As tentações estão por aqui Papai Noel. Todas muito inteligentes e bonitas e simpáticas e brilhando na sua frente feito ouro. Resisti bem. E me empenhei. Dediquei-me a mim mesma como em nenhum outro ano. A mente está tinindo. Bati recorde de livros lidos no ano, arrumei um bom emprego, fechei a faculdade com um ótimo coeficiente de rendimento, escrevi muito, viajei o máximo que pude, economizei, voltei a compor, quebrei preconceitos e paradigmas, mudei. O corpo está no auge. Malhei rotineiramente, me alimentei bem, relaxei quando precisei, me diverti quando quis, me hidratei e dormi como uma pessoa normal. Sem aquelas noites insones e horários malucos. A alma está tranqüila, tranqüila. Ajudei os outros quando pude, evitei conflitos desnecessários, me afastei quando julguei prudente, perdoei meus inimigos, rezei durante calmarias e tempestades, fiquei muito tempo sozinha, muito mesmo. Mas os amigos estiveram também sempre a postos. Exercitei a paciência e a esperança. Usei com discernimento meu juízo. Está tudo aí. Não está? Duendes são bons em relatórios. Eu sei que sim. Eu e você. Foi um ano bom, de muita paz e uma conduta supervisionada de perto e com atenção. E sabe Papai Noel, eu juro que não fiz isso pensando em inflacionar o meu presente não. Não estou pensando em um Camaro, nem em uma viagem pra Las Vegas com tudo pago. Nem naquele anel da Amsterdam Sauer maravilhoso que quase chorei quando vi na vitrine. Nada disso. Eu fiz porque achava que seria uma boa maneira de fazer as pazes comigo mesma depois de um ano desastroso. Deu certo. Está-se com orgulho, estou eu, cheia de estrelinhas douradas imaginárias pregadas no meu quarto, nas minhas roupas, nas minhas coisas. Eu até quase vacilei no final com essa tal proposta indecente, né? É, eu sei. Mas eu resisti viu? Não ia deixar tudo ir por água abaixo aos 45 do segundo tempo... então, fui uma boa menina... mas, assim, se der, na verdade, nada de Camaro, Vegas e jóias. Sabe o que eu queria mesmo? Odireitodeserumameninamá. Pronto, falei. Não me leve a mal, nem faça essa cara de sombracelha levantada que sou eu quem faz isso, mas é o eu mais quero, o direito de ser uma menina um tico má. Tiquinho. Não que seja ruim ser uma pessoa boa. Mas, falta algo. O senhor poderia conseguir uma licença, um decreto, um alvará, uma emenda constitucional, sei lá, um milagre, qualquer coisa desse tipo para deixar que eu seja arteira de vez em quando, bem só de vez em quando. Que eu deixe os desejos fluírem, que eu prometa coisas absurdas – e pior, que eu cumpra coisas absurdas – que eu não pondere tanto, que eu desrespeite meus medos e minhas dúvidas, que eu desconsidere as pressões e as regras. Que eu esqueça os compromissos e as verdades. Que eu despiste os erros e suma com as culpas. Que seja em paz, mas que também seja leve. Que seja sereno e honesto, mas que também seja extasiante. Que eu clame pela segurança e também pela vertigem. Só queria um pouquinho de consentimento para ser um tanto mais livre. Só preciso que você confie que quando eu voar, eu volto. Feito bom filho, que eu sei que sou. Ter essa convicção para poder ir me foi fundamental neste ano. E é só isso que me resta te pedir de presente. Se não der... o Camaro pode ser de qualquer cor, menos o laranja! Gosto não.

Beijos Papai Noel, que o seu dia 25 seja gratificante e que Deus lhe dê renas mais potentes.

Da sua eterna filha,
Fabi Mariano.

P.S. Essa botinha da foto é a que está na minha casa. Eu realmente fiz essa cartinha, na mão, e coloquei ali dentro. Resta saber se vem a licença ou o Camaro.

6 comentários:

Fran disse...

bem que eu estava te achando prudente demais esse ano mesmo. A Fabi apaixonada e toda controlada? hahaha matamos a charada

Be disse...

Agora segura em 2012. Quero nem ver. Ou quero. Ou não quero? Quero.

M. disse...

Acho mais sensato ele te dar um Camaro.

Ana disse...

Acho ótimo que ela já avisa pro Papai Noel que no próximo ano vai dar merda hahahahaha

Le disse...

Tá tudo explicado. Pode pirar de novo que a gente aguenta.

Bruno Pereira disse...

Se uma das promessas absurdas for alguma viagem absurda para uma Aracaju absurdamente longe... Papai Noel, você que se ouse em pestanejar.

Luz, não pede consentimento a ele não.... aí você já começa a ser um pouquinho mais livre.

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