(Para entender esse post, você precisa ler minha Carta para o Papai Noel)

No dia 25 de dezembro, às 4h da manhã fui até a geladeira encher pela última vez a taça de champanhe, na porta, pregado com uma fita, havia um envelope com meu nome. Abri.
“Querida,
Sempre fico nervosa ao lhe escrever, não é tarefa fácil e todos que se arriscaram a fazê-lo um dia sabem bem disso. Você sabe bem disso. Por isso vou contar com sua generosidade, paciência e humildade para aceitar que a resposta que você tanto quer e pediu para essa data, não venha de palavras minhas, mas de alguém a sua altura, esse texto chegou até mim de uma forma inesperada, no mesmo dia em que você postou sua carta de Natal. Sei que você acredita em sinais tanto quanto eu e senti que teria que ser eu – como quando você era pequena – a mensageira especial do Papai Noel.
“Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir Pudim de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente um pedacinho minúsculo do meu pudim preferido. Um só. Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa. Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um pudim bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação. O PUDIM é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano. A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade. A gente sai pra jantar, mas come pouco. Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons. Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil'). Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta. Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo. Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar. E por aí vai. Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação... Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão... Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'.Deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos. Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito. Recusar prazeres incompletos e meias porções. Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim: 'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'... Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar vários pedaços de pudim, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado. Um dia a gente cria juízo. Um dia. Não tem que ser agora. Por isso, garçom, por favor, me traga: um pudim inteiro um sofá pra eu ver 10 episódios do 'Law and Order', uma caixa de trufas bem macias e o Richard Gere, nu, embrulhado pra presente. OK? Não necessariamente nessa ordem. Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago"
Você está apta para voar, para ser livre, para ser o que quiser ser, inclusive uma menina má, porque vai saber como sê-la. Tem todo o alvará necessário. E um pudim inteiro, só pra você na geladeira. Cometa excessos, se permita, peque, deseje ao máximo. É a sua hora.
Te amo”
Sorri feito criança que ganha o que pediu para o Papai Noel. Abri mais uma garrafa inteira de champanhe e comi um pedaço enorme de pudim... 2012, vem com tudo...
P.S Achei que esse era um bom jeito de começar o ano do blog
P.S O texto do “Pudim” é creditado, na internet, a Martha Medeiros, mas a própria já disse que o texto não é dela e que desconhece o verdadeiro autor.
P.S Obrigada Bom Velhinho



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