quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Desafio do Vizinho: Finalmente o resultado

Eu sei, eu sei. Podem xingar, reclamar, espernear. Demorou, mas promessa é dívida - tenho odiado essa frase há algum tempo - se tem uma coisa que eu tenho é palavra. Vou explicar. A escolha do ganhador do "Desafio do Vizinho" estava feita faz tempo, mas eu não conseguia "entregar" o prêmio ao vencedor por pura falta de tempo. Esses últimos meses de 2011 foram frenéticos. Mas, consegui! Fomos jantar, como escolhido pelo ganhador que prefere não divulgar seu nome e foi uma noite muito agradável. Ele ainda conheceu duas das juradas que o escolheram. Queria agradecer mais uma vez a todos que participaram e esse ano vou lançar mais desafios com regras mais definidas e fáceis de serem cumpridas e recompensadas. Eu espero que vocês gostem do texto como eu e as meninas gostamos e aos outros, todos de parabéns, foi difícil escolher.




"Eu tinha a vida dela em minhas mãos. Sério. Literalmente. Feito aquelas fotografias que a gente manipula, manipula não, muito forte, que a gente posiciona, engana, arma, ilude! Ilude é perfeito. Para parecer ter o sol entre os dedos ou para erguer, heroicamente, a torre de Pisa, como arte gráfica de Escher. Era assim que eu a tinha. Sob o meu olhar atento. Minúscula e manipulável. Ela exigia de mim. Era eu quem cuidava diária e religiosamente para que ela não se jogasse do quinto andar. Eu sempre a via abrir ao máximo a janela – quem abre janelas no calor do Rio de Janeiro? Rodeados de ares-condicionados como estamos? – respirava fundo olhava para baixo, um abismo nos olhos negros. Uma iminência de movimento torturante. Era eu quem cuidava dos seus desejos, dos seus medos. Fazia com que recusasse, voltasse para cama, pro livro, pro banho, pra vida. Eu a despia com meus dedos entre a sombra e tecido fino da cortina. Eu a fazia dançar entre as gotas de chuvas escorrendo no vidro. Eu a fazia dormir entre o vidro embaçado das respirações ofegantes. Ela era a minha obra. Minha arte mais bonita e perfeita. Minha criatura. Todos os seus feitos eram meus. Era eu quem a impedia de se estilhaçar, sumir, despencar. Era eu quem a fazia viver. A solidão em pessoa. E tão bonita. Latejando e latejante. Era eu quem mantinha aqueles olhos negros, impregnados de mistérios, em segurança. Desafiando o sol e implodindo de tanta luz. Era eu que mantinha aquele corpo tão irresistível e deliciosamente pulsante. Era eu que escutava e admirava a perfeição do seu silêncio. Era assim dia a dia. Tendo-a inteira na minha perspectiva. Tendo-a encarcerada nas minhas vontades, no meu enredo. Assim com os dias, eu a perdia inevitavelmente todas as noites e a ganhava irremediavelmente todas as manhãs. Até que a ambição desfez minhas ilusões ao invés de inflá-las. No dia em quis tocá-la, detê-la, acariciá-la. No dia em que quis vê-la inteira, eu a perdi. Com um binóculo para trazê-la para perto, no apartamento de frente, me deparei com a sua liberdade em letras garrafais. Não era a queda que ela buscava, era o voo. Ela me tem, e não eu a ela. É ela quem me usa a seu bel prazer, recompensada com a minha atenção irrestrita e apaixonada. Finge ser minha para me ter. É ela quem me aprisiona, me compõe, é ela quem contraria a minha morte. Não a entendo, não a decifro e ela me engole, devora. E com um sorriso faceiro, doce, como se eu fosse a ela totalmente indispensável. Mera distração circunstancial. Um verdadeiro oposto da solidão. Liberdade. "

(Parabéns ao ganhador e obrigada...)

1 comentários:

Ana disse...

Foi mto dificil escolher, esse e aquele outro do vão mereciam! Parabens ao ganhador! Supersimpatico ele

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