quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Instagram

(ao meu novo velho vício)


Imagens que subjetivamos. Olhar seleto, contra o transitório. Aprisionar o ontem, negar o adeus, reconstruir o instante. A sedução da imortalidade. A resistência à perda, o manter intacto. Palpável. Sólido. Frio. O selecionar espaços. Priorizar o ponto mais luminoso. Restringir. Excluir. Memória incontestável. Denunciar singularidades. Compartilhar a visão. Não suportar a beleza só. Desdobrar fantasias. Permitir a idealização. Relembrar tiras de vida. Estática. Aprisionar o tempo. Limitar a distância. Roteirizar o cenário. Enganar a saudade. Verbalizar o silêncio. Desafiar a superficialidade dos dias, das horas, dos minutos. Clique. Tatear as sensações. Rir das palavras. Dignificar o mundo. Comover a inércia. A inépcia. Glorificar o transeunte. Invejar a sensibilidade, a audácia, a oportunidade, o dom. Dividir a solidão. Privilegiar. Recortar a paisagem. Descolorir as datas. Cansar os olhos no olhar do outro... Apaixonar-se pelo que foi e jamais voltará a ser. Inferir. Desejar. Fotografar.

(Curtir e viciar)

PS. Quem tiver Instagram me procure por lá...

1 comentários:

Bruno Pereira disse...

o lugar/ onde repousa este olhar/ deve viver rubro.

lindo. inclusive as palavras fotográficas.

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